A Universidade Federal de Viçosa (UFV) foi inaugurada pelo governo de Minas Gerais na cidade de Viçosa (MG), em 28 de agosto 1926, com o nome de Escola Superior de Agricultura e Veterinária (Esav) e o objetivo de ministrar o ensino superior teórico e prático da Agricultura e da Veterinária, assim como realizar estudos experimentais que contribuíssem para o desenvolvimento dessas duas áreas do conhecimento no estado.
Até 1948, a Esav se desenvolveu influenciada por diversos contextos históricos, até ser transformada, também pelo governo mineiro, em Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (Uremg). Essa segunda fase durou até 1969, quando a instituição foi federalizada como Universidade Federal de Viçosa.
Atualmente, a UFV tem campi nas cidades mineiras de Viçosa, Florestal e Rio Paranaíba e oferece ensinos médio, técnico e superior, com cursos de graduação e pós-graduação em diversas áreas do conhecimento.
A UFV é uma das instituições de ensino superior mais antigas do Brasil. Sua história é contada a partir do dia 6 de setembro de 1920, quando o então presidente do Estado de Minas Gerais, o viçosense Arthur da Silva Bernardes, autorizou — por meio da Lei nº 761 — a criação de uma escola superior de agricultura e veterinária mineira no local que apresentasse as melhores condições para o seu funcionamento. Tal instituição teria como objetivo ministrar o ensino prático e teórico da agricultura e da veterinária, assim como realizar estudos experimentais que contribuíssem para o desenvolvimento dessas ciências no estado.
A criação da Esav e sua instalação em Viçosa foi consolidada em 30 de março de 1922 — com o decreto nº 6.053 — e as primeiras construções foram iniciadas. Nesse começo da década de 1920, foram construídas estruturas físicas e realizadas ações básicas para o desenvolvimento das atividades que viriam a fazer parte da Esav. Entre essas ações estiveram preparações de terrenos, com a proposta de usar máquinas agrícolas e racionalizar o uso do trabalho agrícola; a aquisição de variedades de plantas exóticas, a maioria trazida dos Estados Unidos, e de animais para rebanhos; além da organização e montagem de laboratórios.
A internacionalização, inclusive, é uma marca da instituição desde a sua criação. Na época, o acadêmico norte-americano Peter Henry Rolfs foi contratado por Arthur Bernardes com a finalidade de fundar, organizar e dirigir a Esav. A contratação de Peter Rolfs ainda previa a implementação de um modelo de Escola inspirado nos Land-Grant Colleges norte-americanos — que valorizavam a combinação do ensino, pesquisa e extensão, assim como o aprender fazendo para a obtenção de resultados mais imediatos —, o que diferenciou a criação da Esav da maioria das instituições de ensino superior brasileiras vinculadas às práticas agrícolas. Peter Rolfs chegou ao Brasil em 4 de fevereiro de 1921 e tornou-se o primeiro diretor da Escola.
Em 16 de dezembro de 1922, João Carlos Bello Lisbôa assumiu a função de engenheiro-chefe das construções da Esav. Ele teve um papel importante na instituição, lidando com dificuldades de aquisição de materiais e obtenção de mão-de-obra, assim como promovendo melhorias nas condições de vida dos operários e no andamento das obras. Seu envolvimento e suas contribuições foram tamanhas que, mais tarde, com a inauguração da Escola, em 28 de agosto de 1926, Bello Lisbôa tornou-se professor de Engenharia Rural e vice-diretor da instituição. Em 1929, assumiu a função de diretor da Esav no lugar de Peter Rolfs, que deixou a função para ser consultor técnico de Agricultura do Estado de Minas Gerais.
Arthur da Silva Bernardes, Peter Henry Rolfs e João Carlos Bello Lisbôa são personagens da história da UFV, sempre lembrados como os fundadores da Universidade e cujo pioneirismo ainda anima cada passo dado pelos professores, técnicos, demais colaboradores e estudantes da instituição.
O curso superior de Agricultura foi iniciado em 1928 e formava engenheiros agrônomos; a formatura da primeira turma aconteceu em 1931. Em 1932, foi iniciado o curso superior de Veterinária, que teve sua primeira formatura em 1935.
Existem diversos registros de pesquisas realizadas durante a fase da Esav, até mesmo anteriores às atividades pedagógicas ou didáticas. Na época, foram lançadas as primeiras revistas científicas da instituição; algumas, existentes até hoje, como a Ceres.
Assim como qualquer trajetória, a da UFV não foi linear. Foi marcada por desafios e superações, de origens e dimensões variadas, e, sem dúvida, influenciada pelos contextos local, nacional e mundial.
Na década de 1930, por exemplo, a crise mundial e nacional envolveu oscilações econômicas, políticas e sociais que influenciaram reformulações na área educacional, assim como modificou o funcionamento da Esav. Em 1935, a Escola quase foi fechada e transformada em um quartel militar, fato que resultou em diversos manifestos na região em defesa da instituição.
Também começou a ser discutida a transferência do curso superior de Veterinária para Belo Horizonte (MG), a qual a direção da Esav tentou argumentar e impedir. A Escola Superior de Veterinária, porém, foi desmembrada da Esav e transferida para a capital do estado em 1942, ficando em Viçosa apenas a Escola Superior de Agricultura. Essa voltou a fazer parte da instituição em 1948.
A busca por aprimoramento marcou o processo de transformação da Esav, pelo governo de Minas Gerais, na Universidade Rural do Estado de Minas Gerais. Esse reconhecimento legal aconteceu em 13 de novembro de 1948.
Como Uremg, a instituição assinou convênios de intercâmbio de professores, para estudos de pós-graduação, com o objetivo de aprimorar suas atividades de ensino, pesquisa e extensão. Dentre eles, destacou-se o convênio com a universidade norte-americana de Purdue. Com duração de 1958 a 1973, o Projeto Purdue — como era conhecido — contribuiu para a expansão das atividades e da estrutura da Universidade de Viçosa.
No contexto do fim da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria, a Uremg — já fundada sob influência dos Land-Grant Colleges norte-americanos — estabeleceu um vínculo forte com organizações dos Estados Unidos.
Nessa época, a Uremg iniciou a Escola Superior de Ciências Domésticas, a primeira do Brasil — o que significou o ingresso de mulheres na instituição cujos cursos eram frequentados quase exclusivamente por homens. E foram implantados cursos de pós-graduação em Ciências Agrárias — os resultados das pesquisas realizadas eram divulgados para outras instituições do Brasil e do exterior e impulsionaram o nome e o reconhecimento da Uremg.
Já na década de 1960, a Uremg criou a Escola Superior de Florestas, institutos de Economia Rural e de Tecnologia de Alimentos e o Colégio Universitário (Coluni), atualmente conhecido como Colégio de Aplicação – CAp Coluni.
Mais uma mudança aconteceu em 15 de julho de 1969: a instituição foi federalizada, passando a ser conhecida como Universidade Federal de Viçosa, e vivenciou mais uma grande expansão. A mudança, desta vez, ampliou sua atuação para além das Ciências Agrárias, incluindo também as Ciências Biológicas e da Saúde, Ciências Exatas e Tecnológicas e Ciências Humanas, Letras e Artes. Muitos outros cursos passaram a ser oferecidos.
A ampliação continuou mais tarde, incluindo dois novos campi, além de Viçosa: o de Florestal e o de Rio Paranaíba.
A história do campus Florestal remete a 1939, quando o governo de Minas Gerais inaugurou a Fazenda Escola de Florestal, com cursos de formação de capatazes e administradores de fazendas. Em 1948, a Fazenda Escola foi transformada em Escola Média de Agricultura de Florestal (Emaf), com curso de formação de técnicos agrícolas. O caminho da Emaf cruzou o da UFV em 1955, quando essa foi incorporada à então Universidade Rural do Estado de Minas Gerais.
Em 1981, a Emaf foi transformada em Central de Ensino e Desenvolvimento Agrário de Florestal (Cedaf), passando a oferecer cursos técnicos. E, em 22 de maio de 2006, a Cedaf foi integrada a uma estrutura administrativa-acadêmica maior: o campus Florestal da UFV, criado por meio do Programa Reuni, do governo federal.
Ainda no contexto do Programa Reuni, o campus Rio Paranaíba foi criado em 25 de julho de 2006, com forte participação da comunidade local e regional. Os primeiros cursos superiores oferecidos foram o de Agronomia e o de Administração, já em 2007.
Atualmente, a UFV oferece ensinos médio e técnico, cursos de graduação e programas de pós-graduação, nos quais estão matriculados mais de 20 mil estudantes. No total, a Universidade já graduou mais de 60 mil profissionais e orientou a defesa de mais de 12 mil dissertações de mestrado e quatro mil teses de doutorado.
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